Conto de Natal | A Guardiã do Natal Branco

 





A neve caía como um silêncio antigo, cobrindo tudo com um branco absoluto. O chão desaparecia sob aquele manto macio, e o céu, profundamente escuro, abria-se em estrelas tão nítidas que pareciam poder ser colhidas com a mão. Era uma noite de Natal suspensa no tempo.

No alto, recortada contra a lua cheia, passava a sombra delicada de um trenó. Três renas voavam em perfeita harmonia, os cascos quase tocando a luz prateada. O Pai Natal segurava as rédeas com serenidade, o casaco vermelho ondulando no ar gelado, como se também ele fizesse parte do céu. Por um instante, pareceu olhar para baixo — não para casas ou chaminés, mas para alguém muito específico.

Um comboio a carvão avançava lentamente. Era um daqueles comboios do início do século XX, de metal escuro e respiração pesada, soltando nuvens de vapor que se misturavam com a neve. O apito ecoava ao longe, grave e melancólico, como se anunciasse não apenas a chegada a uma estação, mas a travessia de um ano para outro. As rodas rangiam nos carris gelados, levando consigo histórias, despedidas e regressos.

Em primeiro plano, quase imóvel, estava a menina.

Vestia um casaco branco e comprido, que se confundia com a paisagem nevada, como se tivesse nascido dali. Os longos cabelos castanhos, encaracolados, escapavam por baixo de um gorro enfeitado com pequenas bolas de Natal que tilintavam suavemente sempre que ela respirava mais fundo. Estava de perfil, o rosto calmo, atento ao mundo que passava à sua frente.

Nas mãos, protegidas por luvas vermelhas, segurava uma pequena cesta. Dentro dela, repousavam bolas de Natal brilhantes — douradas, vermelhas, algumas com pequenos riscos pintados à mão. Não eram simples enfeites: cada uma guardava um desejo, uma memória, uma promessa. A menina sabia disso, embora nunca ninguém lhe tivesse explicado como.

Ela esperava.

Talvez o comboio. Talvez o trenó. Talvez apenas o momento certo.

Quando o comboio se aproximou, o chão vibrou levemente. As bolas na cesta cintilaram, refletindo a lua, as estrelas e o vermelho distante do Pai Natal no céu. A menina ergueu o olhar por um segundo, e sorriu — um sorriso pequeno, secreto, como quem sabe que o mundo ainda guarda magia suficiente para continuar.

A neve continuou a cair. As renas seguiram o seu caminho. O comboio avançou rumo ao futuro.

E naquela noite de Natal, entre o céu e a terra, a menina permaneceu ali, guardiã silenciosa de um instante em que tudo — passado, presente e sonho — coexistia em perfeita harmonia.

Adelaide Jordão e ChatGPT

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