A leitura e a escrita são a base de todas as aprendizagens

 

 

Foto: Magnific 

 

A leitura e a escrita são a base de todas as aprendizagens e, sem estas competências, o percurso escolar fica comprometido desde o início. Os dados, contudo, são preocupantes: após melhorias até 2015, a tendência inverteu-se e hoje um em cada quatro jovens termina o ensino básico sem atingir um nível elementar de leitura, segundo o PISA e o PIRLS. 

Os números são claros: até 2015, os alunos portugueses foram melhorando na leitura. Desde então, a tendência inverteu-se e, hoje, um em cada quatro jovens chega ao fim do Ensino Básico sem atingir um nível de leitura elementar. Os são dados do PISA e do PIRLS, respetivamente.

 Que mudanças podem ter maior impacto na literacia em Portugal? O que pode ser feito para o melhorar?

A EDULOG cruzou as perspetivas de Isabel Leite, Professora da Universidade de Évora e Presidente do Conselho Consultivo do EDULOG; Alex Quigley, Head of Content and Engagement na Education Endowment Foundation (Reino Unido); e Jennifer Buckingham, Diretora Executiva de Políticas e Evidência no NSW Centre for Education Statistics and Evaluation (Austrália) e fundadora do projeto Five from Five, e os três especialistas são unânimes num ponto: a aprendizagem da leitura começa muito antes do primeiro ano.

Se a preparação é o primeiro passo, o método de ensino (a forma de ensinar a ler) é o segundo: é importante promover a fluência leitora e construir conhecimento e competências de compreensão através de um currículo bem planeado, que inclua textos de ficção e não-ficção.

Estabelecidas as bases e os métodos, abre-se espaço para um tema adicional: o que é que está a ser esquecido quando o assunto é literacia? O conhecimento científico sobre os processos mentais envolvidos na leitura, a qualidade da linguagem oral, fundada na conversa de alta qualidade, nas interações sustentadas de troca, na modelação explícita da linguagem, na leitura interativa de livros e em oportunidades estruturadas para todas as crianças participarem.

Outro aspeto importante é a formação (inicial e contínua) de professores - os ingredientes de uma formação eficaz: construir conhecimento, motivar com evidência credível, desenvolver técnicas com apoio e feedback e incorporar a prática com acompanhamento.

Mesmo com boa preparação, bons métodos e professores bem formados, haverá sempre crianças que precisam de mais apoio. A questão é: quando é que esse apoio chega?

Finalmente, uma recomendação para os decisores: colocados perante o desafio "Se pudessem deixar apenas um conselho a um diretor de escola ou a um decisor político, qual seria? ".
Eis as respostas:

Isabel Leite aponta para os dados como bússola. "Avaliar e monitorizar o desempenho em leitura ao longo do ano é, para um diretor, quase ouro”, refere, embora os dados não cheguem sem uma cultura que os valorize. Por isso, Isabel Leite defende a criação de uma cultura de leitura transversal à escola: “Valorizar os bons desempenhos, envolver as famílias, colocar o livro no centro das diferentes disciplinas, não apenas do Português”.

Alex Quigley propõe combinar políticas nacionais com o envolvimento dos professores: “Combinar políticas nacionais que orientem comportamentos positivos (como desenvolvimento profissional de qualidade em literacia e acesso a avaliações) com o apoio ao interesse dos professores no terreno. Conseguimos garantir o interesse e a autonomia dos professores e líderes se traduzirmos eficazmente a evidência sobre literacia em práticas de sala de aula atrativas”, reforça.

Jennifer Buckingham resume numa frase: “As escolas que alcançam bons níveis de literacia para todos os alunos têm uma abordagem integrada que inclui métodos de ensino explícitos e rigorosos, um currículo exigente e avaliação regular padronizada”. 
 
EDULOG - Fundação Belmiro de Azevedo 

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